Em busca da liberdade — 28/05/2015

Em busca da liberdade

Sair do armário não é uma tarefa fácil. E os dados não nos deixam mentir.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela consultoria de engajamento Santo Caos, no Brasil, 63% dos jovens relatam sentir rejeição total ou parcial dos familiares, após eles saberem de sua orientação sexual. O estudo também aponta que 59% desses jovens revelam a sexualidade para familiares, enquanto 41% preferem manifestar somente para amigos mais próximos — ou, pior, esconder totalmente sua orientação sexual, negando sua própria existência.

O receio de se assumir publicamente, seja dentro ou fora de casa, é muito grande. E somente quem já passou por essa situação sabe a delicadeza com que o tema exige ser tratado, especialmente com os pais. De um lado, a vontade de abrir a porta do armário; do outro, o medo da rejeição. Há de se pensar e entender esse embate sob diferentes vieses, levando em conta as consequências sociais, culturais, econômicas e psicológicas do ato. Você já parou para pensar na confusão e nos receios de quem está prestes a fazer isso pela primeira vez? Sim, porque uma vez fora do armário, assumir-se acaba sendo necessário sempre. Vira rotina.

Ser quem se é nos leva adiante, mas exige coragem. E quando nem mesmo seus pais entendem isso, é de se imaginar que o mundo também não será um lugar muito agradável e acolhedor. Mas, apesar de difícil, essa é uma decisão que deve partir, única e exclusivamente, do agente da situação. Ninguém deve forçar ninguém a viver do lado de fora do armário. Afinal, essa ainda é uma realidade difícil de se aceitar no Brasil — país em que quase metade da população ainda é contra o casamento gay, por exemplo.

Mesmo assim, é importante refletirmos sobre o ato de se assumir gay hoje em dia. Afinal, o que isso representa? Ora, nossa existência! Porque quanto mais pessoas enxergarem que estamos em todos os lugares do mundo, mais fácil e rápido virá a aceitação e o respeito que merecemos. Representa uma chance para aquele (a) garotinho (a) que, ainda jovem, culpa-se por gostar do mesmo sexo, que renuncia sua identidade, que se autodestrói e, em casos mais extremos, não suporta a pressão da sociedade/família e se suicida.

É uma esperança que renasce a cada porta aberta.

E isso, por consequência, significa que, mesmo com todas as dificuldades, com o tempo, a situação melhora. Que há uma luz no fim do túnel e, que, mesmo se seus pais não estão dispostos a te ajudar, há outras pessoas que podem te estender uma mão amiga.

Há sempre uma saída para enfrentar esse problema. E somente quando as pessoas enxergam isso é que o futuro volta a ser uma realidade e a fazer parte do tempo da vida das pessoas. Do armário, tudo o que se tem é escuridão.

Aproveitando, repasso essa mensagem da ONU contra a homofobia, por um mundo livre e igualitário:

Futuro incerto — 20/10/2014

Futuro incerto

Não há para onde correr. Dilma, Aécio e seus eleitores – cujo fanatismo e a obsessão de muitos me assustam – tomaram conta dos jornais, revistas, sites, redes sociais, e-mails. Não bastasse, também estão presentes nas conversas de amigos, no happy hour do trabalho e, entre o famoso “será que chove?”, nas conversas quase infinitas de elevador. Eles estão em todos os cantos!

Não por menos. Estamos a poucos dias das eleições para presidente do Brasil. O cargo mais alto da política. Aguardamos, ansiosos, a definição de quem estará presente, pelos próximos quatro anos, no Palácio da Alvorada.  De um lado, ódio ao PT. Do outro, ao PSDB. A luta parece interminável. E assim será.

Quase não há mais argumentos nas discussões. As defesas em prol do candidato X ou Y tomam forma de xingamentos e preconceito estúpido. Nas últimas semanas, principalmente, os nordestinos que votaram majoritariamente na candidata do PT no primeiro turno sentiram na pele o que é isso. Completamente inaceitável, mas, nos tempos em que a covardia e o incitamento ao ódio ainda confundem-se com a liberdade de expressão, muita gente aplaudiu.

O brasileiro parece ter perdido o bom senso. Há eleitores a favor do Aécio, por exemplo (aqui, também caberia um ponto) que lutam pela “mudança” e não têm vergonha de dizer que, “se não vemos negros em muitos locais, é porque o País foi colonizado por brancos”, ou que a “intervenção militar pode ser o caminho para o crescimento”. É tanta desinformação e ignorância que não vou gastar meu tempo falando sobre isso.  Aos que pensam igual, um bom livro de história resolve essa questão. Isso sem falar das alianças destrutivas que o partido fez com líderes religiosos, o que me preocupa. Aliás, dá medo.

Não acho, tampouco, que o PT é o melhor partido para salvar o Brasil. Há falhas, corrupção (ainda que menor que a dos tucanos), problemas a serem melhorados, claro. Mas, por outro lado, há também avanços. Dilma nos tirou da pobreza. Reduziu o desemprego para os índices baixos. Criou oportunidades para todos. Salvou milhões de brasileiros.

Eu sei. Deve doer, para a pessoa de classe média, branca, heterossexual, entender que, enfim, a política não é para benefícios próprios. Não é para engrandecer os mais ricos e diminuir os mais pobres. Ela deve funcionar em benefício de TODA a população, o que inclui (caso alguém não saiba) pessoas pobres, negras, homossexuais.

Meu voto do segundo turno não poderia ser diferente. Não nessas eleições. Porque, como dizem, sou brasileiro – e brasileiro não desiste nunca. Temos a chance, literalmente, em nossas mãos de escolher o melhor para o Brasil.

A discussão, claro, não termina por aqui – nem, muito menos, nas urnas. Independentemente de quem leve a melhor no dia 26, não podemos esperar quatro anos para discutirmos sobre política. Precisamos estar presentes no dia a dia e não só no período eleitoral. Precisamos assumir uma postura mais crítica com relação aos programas de governo, às promessas dos candidatos, aos apoios de partidos interesseiros. É preciso SER cidadão – não ESTAR.

Meu recado é simples: vote consciente. Leia propostas, estude, debata, reflita. Não podemos retroceder. Para frente e avante, Brasil!

Resistir é preciso! — 29/09/2014

Resistir é preciso!

O relógio é implacável. A cada 28 horas, um homossexual é assassinado no Brasil. Em 2013, de acordo com o relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), foram documentados 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no País. Somos o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos: segundo agências internacionais, 40% dos crimes de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos em terras brasileiras. As estatísticas parecem ser ainda piores para este ano, que começou ainda mais sangrento. Só em janeiro, foram assassinados 42 LGBTs, um a cada 18 horas.

A intolerância parece não ter fim e o medo nos cerca por todos os lados. Ontem mesmo, tivemos uma prova disso diante da televisão, quando o candidato à presidência da República, Levy Fidelix, proferiu palavras de ódio contra os homossexuais, incitando um discurso homofóbico e violento. “Então, gente, vamos ter coragem, nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria [gays]. Vamos enfrentar, não ter medo de dizer que sou pai, mamãe, vovô (sic). E o mais importante é que esses, que têm esses problemas, realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”, foram as palavras do candidato, que teme, inclusive, que a população brasileira seja reduzida pela metade (!!) por conta do casamento homoafetivo. Não contente, o candidato ainda relacionou homossexuais a pedófilos. A plateia riu.

Adolf Hitler também achava que os judeus eram uma minoria que deveria ser combatida. A comparação é quase automática. Por que ninguém ri quando se fala disso? Ou, então, pergunto-me se as pessoas ainda dariam risada se trocássemos o termo “homossexuais” por “negros”, “mulheres” ou “deficientes”. Quero acreditar que não.

Vivemos em um País machista, opressor, sanguinário. As estatísticas não me deixam mentir. O que Levy fez não tem nada a ver com liberdade de expressão, embora muitas pessoas entendam dessa forma (o que é lamentável, para se dizer o mínimo). Repito, caso não tenha ficado claro: isso não é liberdade de expressão. É um discurso raivoso e intolerante, um pensamento totalitário, que ecoa em um ambiente já de opressão. É preconceito e, como tal, deveria ser punido.

Mas, no Brasil, ainda não temos nenhuma lei contra a homofobia. Até hoje, o Congresso Nacional brasileiro não aprovou uma única lei que garanta direitos e igualdade para a população LGBT e, ao contrário, recusa-se sistematicamente a reconhecer a cidadania plena desta parcela da sociedade. O PLC 122, que equipara a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero à discriminação de raça, por exemplo, foi engavetado no Senado. O programa “Escola sem homofobia” foi cancelado. Ao passo em que a bancada evangélica comemorava, outros gays foram sepultados.

Quero acreditar que, apesar de muitas outras pessoas terem o mesmo pensamento que Levy, eles é quem são a minoria. Talvez, do lugar “privilegiado” de cidadãos heterossexuais, brancos, de classe média/alta seja mais difícil enxergar a gravidade desta situação. Mas não me calarei: vocês NÃO estão sendo oprimidos se conquistarmos direitos que vocês SEMPRE tiveram.

Você não precisa ser homossexual para se unir à causa, da mesma forma que não precisa ser mulher para defender os direitos femininos, muito menos negro, para tentar acabar com o racismo.

Chega de impunidade. A homofobia mata! Ontem, foi o João. Amanhã, pode ser eu. E se fosse você?

Morte ao feminino — 12/09/2014

Morte ao feminino

Uma das questões que sempre me incomodou é a aversão que o “feminino”, presente no homem homossexual, causa nas pessoas. O homossexual mais próximo do heterossexual (aka bofinho) tem uma facilidade muito maior em ser aceito num grupo social, isso é evidente. Já o gay efeminado (ou afeminado, outra hora discutimos essa terminologia) – vulgo pintosa – precisa lidar, além da tradicional homofobia, com o repúdio que a sociedade tem com a expressão de sua sexualidade.

Quando falo da sociedade, incluo também o meio LGBT, que, embora goste de se dizer progressista e inclusivo, na maior parte das vezes trata os gays que apresentam características femininas de forma diferenciada e excludente. Prova disso são os aplicativos gays, que reafirmam a valorização do homem heterossexual quando os usuários dizem que são e procuram “discretos” e não “curtem afeminados”.

Aprendemos desde criança que azul é cor de menino e rosa de menina. A escola nos condiciona a reproduzir um comportamento tradicional que corresponda ao seu genital. Me lembro de certa vez, quando eu deveria estar na terceira série, ser chamado pela professora junto com a orientadora pedagógica para uma conversa. Nunca fui uma criança tradicional, sempre me identifiquei com as meninas, já que não via o porquê de andar com os meninos que me ridicularizavam em público – com o aval dos professores – e me batiam no banheiro masculino quando me encontravam sozinho. Mesmo assim, as professoras recomendaram que eu parasse de andar com as meninas e passasse mais tempo com os meninos, a fim de adquirir algumas características masculinas, inclusive mais tarde até fazendo uma campanha na sala de aula para que os alunos as avisassem caso se me vissem no recreio pulando elástico com as meninas ao invés de jogar bola com os garotos.

Mesmo com a pouca idade, lembro que essa conversa me tocou profundamente, porque até então eu nunca tinha me dado conta que só tinhas amigas meninas, e que eu era mais feminino que o tradicional. Essa repressão provocou consequências até hoje, quando dou “aquela” desmunhecada num ambiente hostil e me lembro da recomendação das professoras dizendo que não precisava exagerar e tinha que me parecer mais com um menino.

Esse comportamento coercitivo e repreensivo é um reflexo do machismo que continua a imperar até os dias de hoje. O ódio às mulheres e às características que remetem a elas nos fazem julgar quando detectamos tais comportamentos nos outros e nos afastar para que não sejamos reconhecidos da mesma forma. Esse pensamento opressor não permite que expressemos características que nos compõe, que são a nossa essência. Matamos a cada dia que passa essas características que nos tornam únicos para agradar terceiros e nos sentirmos mais incluídos. Mas essa inclusão é falsa, já que ela só nos aceita se “fizermos o requisito”, que é parecer o máximo possível com um heterossexual.

Não somos assim. Somos homossexuais, temos nossa própria cultura, nossos trejeitos e tudo o mais que nos compõe. Matar o feminino, que nos identificamos e nos reconhecemos como nós mesmos, é ceder aos caprichos de uma sociedade opressora que quer suprimir às diferenças e tornar tudo uniforme e igual. E o igual é muito chato.

Voltamos! — 08/09/2014

Voltamos!

Queridos leitores,

tiramos um período sabático (porquê não somos obrigados), mas estamos voltando com tudo. Dessa vez vamos tratar de maneira mais aberta e pessoal nossos posts, compartilhando nossas experiências que construíram quem somos hoje e como nos reconhecemos nessa sociedade heteronormativa que vivemos. Infelizmente comentaristas depreciativos temos em toda parte, até mesmo em nosso humilde blog. Ler esse tipo de comentário é profundamente desgastante e desestimulante, já que essas pessoas sempre apresentam os mesmo comentários, normalmente fundamentados num livro religioso que para nós, não diz nada. Não gosto de restringir comentários, a ideia do blog é ser um ambiente aberto para discussões, inclusive servindo como um termômetro para o nosso próprio preconceito que precisa ser desconstruído diariamente. Porém, esse é um espaço de discussão sobre experiências e comportamentos a fim de gerar discussões positivas e que contribuam para a nossa reflexão, saber que um homem não deve se deitar com outro porquê está escrito em algum versículo desatualizado, não nos interessa, devido a isso comentários do tipo serão restritos. Dito isso, voltamos a nossa programação normal.

Como diria Mamma Ru: Good luck, and don’t fuck it up! 

 

Sobre a tal cura gay — 26/06/2013

Sobre a tal cura gay

Em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tirou a homossexualidade do rol de doenças. Até então, nós homossexuais, éramos passíveis de tratamento e considerados como pessoas com transtornos de comportamento, já que o comportamento esperado para o ser humano é o heterossexual.

Desde então, não é possível classificar a homossexualidade (que até então recebia o nome de “homossexualismo”) como uma doença. Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) determinou que os psicólogos não devem oferecer tratamento para homossexuais nem compactuar com ações que a descrevam como patologia.

O que vimos na semana passada foi só mais uma prova de como nossa política brasileira está despreparada para lidar com os temas que a sociedade necessita. Tentar passar por cima de uma resolução criada por um conselho federal especialista no tema é comprovar a presunção que a CDHM vem mostrando. Um leigo, como o autor do projeto, dep. João Campos, não possui legitimidade técnica, moral ou ética para tratar sobre o assunto, muito menos seus companheiros de bancada.

O presidente da CDHM, Marco Feliciano, defende-se dizendo que não é o autor do projeto e que este não deve ser chamado de “cura gay”, uma vez que o termo é uma visão distorcida da mídia sobre o texto.

Tenho ouvido dizer que mesmo que seja aprovado, nós LGBTs não devemos nos preocupar por duas questões: o CFP não compactua com a resolução, portanto os psicólogos se negarão a “curar”; e que quem não quer a cura não é obrigado. Quanto a primeira questão, basta lembrar que a autointitulada psicóloga cristã Marisa Lobo e o Pastor Silas Malafaia também são psicólogos de formação (apesar de provavelmente terem faltado as aulas sobre a sexualidade humana) e que maus profissionais existem em todas as áreas – o que significa que certamente teremos “psicólogos” dispostos a oferecer tratamento.

Em relação à segunda questão, de fato eu não vou procurar a cura, portanto não irei recebê-la. Mas e quanto a crianças e adolescentes que manifestem comportamentos não desejados por pais menos esclarecidos (aka, os meninos afeminados e as meninas masculinizadas)? Será que terão a opção de não se tratar? E quanto às pessoas que não aceitam completamente sua condição e que acreditam ser possível revertê-la? Será mesmo que se sentirão melhor com um tratamento infundado cientificamente e sem resultados?

Aceitar-se homossexual nunca é um processo fácil e indolor e muitas pessoas levam anos para “sair completamente do armário”. Nesses casos, é importante contar com o auxílio de psicólogos que ajudarão nesse processo de aceitação, esclarecendo que a orientação sexual não é passível de tratamento ou reversão. Para esse tipo de acompanhamento não é necessário um projeto como o citado.

Dizer que não existe tratamento para o que não é doença é pouco. Não queremos a posição de vítimas ou subalternos. Hoje temos a nossa voz e somos sujeitos, e não mais o objeto, do discurso homofóbico e machista a que somos submetidos pela CDHM e por tantos outros políticos que podam nossos direitos.

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PDL 243/11, o projeto de “cura gay” — 25/06/2013

PDL 243/11, o projeto de “cura gay”

No dia 18 de junho, foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), presidida pelo Deputado Pastor Marco Feliciano (PSC), o Projeto de Decreto Legislativo 243/11 que susta a aplicação do parágrafo do Art. 3º e o Art. 4º da resolução do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que impede psicólogos de “tratarem” homossexuais.

Com a aprovação do projeto de autoria do deputado João Campos (PSDB), que ficou conhecido popularmente como “cura gay”, psicólogos poderão oferecer tratamentos de reversão da orientação sexual homossexual. O CFP manifestou uma nota de repúdio contra a aprovação e manifestou-se absolutamente contrário a tal resolução.

Após cinco tentativas frustradas da comissão de aprovar o texto, a votação foi realizada de forma simbólica, já que não estavam presentes o número mínimo de deputados para aprová-la. Apesar da tentativa de obstrução do deputado Simplício Araújo (PPS-MA), o texto foi aprovado e segue agora para outras duas outras comissões que devem dar o veredito final: a Comissão da Seguridade Social e Família e a Comissão de Constituição e Justiça.

A aprovação do projeto não foi nenhuma surpresa para a comunidade LGBT, já que a atual CDHM é composta por fundamentalistas religiosos que não possuem legitimidade nem ética necessária para tratar sobre o tema. Segundo o Deputado Jean Wyllys (PSOL), o projeto também é inconstitucional, já que o Poder Legislativo não pode legislar sobre uma autarquia.

O PDL 243/11 está incluso no pacote de medidas para atender as reivindicações das manifestações populares, indo a votação direta na semana que vem. 

Vote! Projeto de lei do Casamento Civil Igualitário — 11/04/2013

Vote! Projeto de lei do Casamento Civil Igualitário

No dia de hoje está aberta a votação do projeto de lei que modificará o Código Civil, alterando as leis que tratam do casamento e união estável, reconhecendo o casamento civil e a união estável entre pessoas do mesmo sexo.

Segundo os autores do projeto, o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo deverá ser igual e ter os mesmos requisitos, efeitos, e direitos que o casamento civil entre pessoas de distinto sexo.

Pratique sua cidadania e participe voltando SIM no site:
http://www.votenaweb.com.br/projetos/plc-5120-2013#_=_

O dia em que a Santa Inquisição voltou a reinar — 07/03/2013

O dia em que a Santa Inquisição voltou a reinar

O dia 07/03/2013 ficará marcado para sempre como o dia em que as minorias perderam seus direitos. O pastor deputado Marco Feliciano conhecidamente homofóbico, racista e sexista acaba de assumir a presidência da Comissão dos Direitos Humanos e das Minorias (CDHM), comissão criada para proteger, resguardar e amparar os direitos de todas as pessoas, mas principalmente das minorias que normalmente são esquecidas.

Há quem ache que a eleição de um pastor, membro do Partido Social Cristão (PSC) não vá interferir em sua vida. Pois bem, a menos que você seja homem (e aqui não incluem-se as mulheres), branco, heterossexual e cristão-evangélico, a integridade de seus direitos está garantida; para quem não se encaixa nessas características é bom começar a se preocupar. Mais de uma vez Feliciano, juntamente com o PSC, declarou que não são consideradas famílias aquelas que são: Famílias homoafetivas, famílias de mães solteiras, pais divorciados ou qualquer casal que viva sem as “bênçãos” do casamento civil-religioso.

Com esse pensamento reinando, todas as diferenças serão excluídas. Colocar Marco Feliciano na presidência da CDHM é a mesma coisa que colocar o goleiro Bruno pra cuidar dos Direitos da Mulher ou o casal Nardoni para presidir o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Declaração do novo Presidente da CDHM sobre os LGBTs
Declaração do Dep. M. Feliciano sobre os afro-descendentes.

Outro ponto a ser analisado é a questão da imposição da religiosidade num Estado Laico. Sabemos que há diferença entre Estado Laico e Laicidade, portanto é uma grande ingenuidade pensar que nosso governo não defende/impõe nenhuma religião. A teocracia está a cada dia mais próxima de ser imposta, pois a bancada fundamentalista religiosa vem ganhando cada vez mais poder dentro da política e uma influência enorme nas decisões a serem tomadas. Vale lembrar, que o PSC só entrou para a CDHM com a aprovação da atual presidente da República. Com a imposição de uma religião, um dos primeiros direitos fundamentais ao ser humano é violado: O direito à liberdade de religião (que não implica necessariamente na obrigatoriedade da escolha de uma).

No mesmo mês em que tivemos uma grande vitória (Oficialização do Casamento Civil Igualitário em SP) tivemos também essa grande perda. Para nós, minorias que vivemos há tanto tempo na margem da sociedade heteronormativa, fica o sentimento de indignação e impotência. Vemos nossos direitos serem violados, negados e massacrados e não podemos fazer nada. Mas ao menos ainda temos a nossa voz, e não vamos aceitar calados. Vamos incomodar e mostrar que o movimento LGBT juntamente com as outras minorias não estão dispostos a abrir mão de seus direitos e de sua vida tão facilmente.

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Declaração do novo presidente da CDHM sobre os homossexuais.
Dia 29 de janeiro, dia da visibilidade trans — 29/01/2013

Dia 29 de janeiro, dia da visibilidade trans

Hoje é dia de tod@s as (os) travestis e transexuais terem sua visibilidade lembrada. Não que nos outros dias devemos nos esquecer, mas no dia 29 de janeiro a data serve como reforço para lembrarmos dessas pessoas que na maioria das vezes são marginalizadas e estigmatizadas.

Segundo dados do GGB (Grupo Gay da Bahia), no ano de 2012 foram 338 assassinatos de LGBTs, porcentagem que predomina entre as travestis. Isso equivale a um assassinato a cada 26 horas.

E esses são apenas os dados fornecidos pela polícia federal, infelizmente os números aumentariam se fossem levados em consideração os homicídios que são negligenciados, ou tidos como outros crimes que não incluem o homicídio doloso.

Normalmente os assassinatos de travestis são marcados pela crueldade e covardia contra as vítimas. É comum os corpos serem encontrados brutalmente assassinados, com objetos introduzidos no ânus, múltiplas facadas ou até mesmo corpos que foram arrastados amarrados em automóveis.

Infelizmente em nosso país, as travestis ainda são lembradas em sua maioria pela prostituição e marginalidade. Quando uma mulher trans ou travesti é vista, normalmente é tratada de maneira preconceituosa como se fosse um homem. O mesmo vale para os homens trans ou travestis. Esse pensamento condicionado pela sociedade heteronormativa em que vivemos já passou da hora de acabar.

Genitália não define gênero, orientação ou identidade sexual. Da mesma forma que a violência contra essas pessoas não irá suprimir os desejos e inclinações sexuais que o agressor normalmente tenta esconder dos outros e de si mesmo. Imagem

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