Sair do armário não é uma tarefa fácil. E os dados não nos deixam mentir.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela consultoria de engajamento Santo Caos, no Brasil, 63% dos jovens relatam sentir rejeição total ou parcial dos familiares, após eles saberem de sua orientação sexual. O estudo também aponta que 59% desses jovens revelam a sexualidade para familiares, enquanto 41% preferem manifestar somente para amigos mais próximos — ou, pior, esconder totalmente sua orientação sexual, negando sua própria existência.

O receio de se assumir publicamente, seja dentro ou fora de casa, é muito grande. E somente quem já passou por essa situação sabe a delicadeza com que o tema exige ser tratado, especialmente com os pais. De um lado, a vontade de abrir a porta do armário; do outro, o medo da rejeição. Há de se pensar e entender esse embate sob diferentes vieses, levando em conta as consequências sociais, culturais, econômicas e psicológicas do ato. Você já parou para pensar na confusão e nos receios de quem está prestes a fazer isso pela primeira vez? Sim, porque uma vez fora do armário, assumir-se acaba sendo necessário sempre. Vira rotina.

Ser quem se é nos leva adiante, mas exige coragem. E quando nem mesmo seus pais entendem isso, é de se imaginar que o mundo também não será um lugar muito agradável e acolhedor. Mas, apesar de difícil, essa é uma decisão que deve partir, única e exclusivamente, do agente da situação. Ninguém deve forçar ninguém a viver do lado de fora do armário. Afinal, essa ainda é uma realidade difícil de se aceitar no Brasil — país em que quase metade da população ainda é contra o casamento gay, por exemplo.

Mesmo assim, é importante refletirmos sobre o ato de se assumir gay hoje em dia. Afinal, o que isso representa? Ora, nossa existência! Porque quanto mais pessoas enxergarem que estamos em todos os lugares do mundo, mais fácil e rápido virá a aceitação e o respeito que merecemos. Representa uma chance para aquele (a) garotinho (a) que, ainda jovem, culpa-se por gostar do mesmo sexo, que renuncia sua identidade, que se autodestrói e, em casos mais extremos, não suporta a pressão da sociedade/família e se suicida.

É uma esperança que renasce a cada porta aberta.

E isso, por consequência, significa que, mesmo com todas as dificuldades, com o tempo, a situação melhora. Que há uma luz no fim do túnel e, que, mesmo se seus pais não estão dispostos a te ajudar, há outras pessoas que podem te estender uma mão amiga.

Há sempre uma saída para enfrentar esse problema. E somente quando as pessoas enxergam isso é que o futuro volta a ser uma realidade e a fazer parte do tempo da vida das pessoas. Do armário, tudo o que se tem é escuridão.

Aproveitando, repasso essa mensagem da ONU contra a homofobia, por um mundo livre e igualitário:

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